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Comprar carro usado é uma das compras mais caras que a gente faz, e quase sempre com pressa: o anúncio parece bom, o vendedor diz que tem outro interessado e a decisão sai no impulso. A Nota do Negócio dá uma pausa de dois minutos antes do pagamento. Você digita a placa, escolhe o modelo, informa o preço e responde cinco perguntas. A nota de A a D sai na hora, de graça e sem cadastro.
Como a Nota do Negócio funciona
A nota junta quatro informações que você mesmo consegue conferir antes de fechar negócio. Nenhuma delas depende de base de dados paga, e nenhuma envolve dado pessoal do dono do carro.
- Preço pedido comparado à Tabela FIPE. A ferramenta puxa o valor da FIPE do mês para o modelo e o ano exatos e mostra quanto o preço pedido está acima ou abaixo dele.
- Quilometragem comparada à idade. Um carro que rodou de 12 a 15 mil km por ano está dentro da média de mercado. Muito acima disso, pede revisão. Muito abaixo, pode indicar hodômetro mexido.
- Cinco respostas sobre o vendedor. São as perguntas que separam uma venda normal dos golpes mais comuns em anúncios de carro.
- A placa. As três primeiras letras mostram o estado do primeiro emplacamento, e o último número define o calendário de licenciamento em cada estado.
Com isso, a nota vai de A (bom negócio) a D (alto risco). Ela é uma estimativa feita com o que você informou: não substitui a vistoria cautelar nem a consulta oficial no Detran, mas mostra onde olhar primeiro e o que perguntar ao vendedor.
Como usar a nota na negociação
A nota também serve de argumento. Se ela caiu por causa do preço, você tem um número objetivo para mostrar ao vendedor: a diferença para a Tabela FIPE do mês. Se o problema é a quilometragem, a conversa passa a ser sobre a revisão que vai chegar logo depois da compra. E se a nota caiu por causa das respostas sobre o vendedor, o assunto não é preço: é exigir o que falta antes de continuar, como a vistoria cautelar, o Renavam ou o documento no nome de quem vende. Nota D não quer dizer que o carro é ruim. Quer dizer que ainda falta informação para pagar com segurança.
O que a placa revela, e o que ela não revela
Desde 2020, todo carro emplacado pela primeira vez no Brasil recebe a placa Mercosul, com três letras, um número, uma letra e dois números, como ABC1D23. As placas cinza antigas continuam valendo e vão sendo trocadas aos poucos, em situações como mudança de município, dano à placa ou quando o dono quer.

Na conversão, o segundo número da placa antiga vira letra: 0 vira A, 1 vira B e assim por diante, até o 9, que vira J. Então ABC1234 passa a ser ABC1C34. É por isso que a ferramenta mostra as duas versões sempre que é possível.
As três primeiras letras seguem faixas distribuídas entre os estados, e é daí que sai o estado do primeiro emplacamento. Só que a placa acompanha o carro a vida toda, mesmo quando ele muda de estado. As letras dizem onde o carro foi emplacado pela primeira vez, não onde ele está registrado hoje: um carro com letras do Paraná pode muito bem estar no nome de alguém de São Paulo.
O que a placa não mostra: nome do dono, CPF, endereço, multas, financiamento ou histórico de batidas. Desconfie de site que promete tudo isso de graça só com a placa. Ou os dados são pagos, ou são inventados, ou foram obtidos de um jeito que expõe o dono do carro.
Preço abaixo da FIPE: oportunidade ou armadilha?
A Tabela FIPE é a referência de preço médio de mercado para cada modelo e ano, atualizada todo mês. Carro anunciado perto da FIPE está no preço normal. Alguns pontos percentuais abaixo pode ser pressa do vendedor ou um detalhe a arrumar, e aí vale negociar.
Quando o preço fica 20% ou mais abaixo da FIPE, o cenário muda. Os motivos mais comuns são estes:
- carro de leilão ou recuperado de sinistro, que vale menos na revenda e costuma ter seguro mais caro ou recusado;
- débitos de IPVA, licenciamento e multas que vão sobrar para quem comprar;
- financiamento que ainda não foi quitado;
- golpe do anúncio falso, em que o carro nem existe ou pertence a outra pessoa.
Nesse caso, a regra é simples: descubra o motivo do desconto antes de qualquer conversa sobre pagamento. Se o vendedor não explica, ou explica e muda de assunto, trate o negócio como alto risco.
Quilometragem: como saber se é real
A referência de mercado é de 12 a 15 mil km por ano. Um carro de cinco anos com 70 mil km está dentro do esperado. Com 150 mil km, rodou bastante, e a conta de suspensão, embreagem e revisão chega logo depois da compra.
O alerta mais traiçoeiro é o contrário: quilometragem baixa demais para a idade. Um carro de oito anos com 20 mil km pode ser verdade, mas também é o sinal clássico de hodômetro adulterado. Para conferir, faça três coisas:
- peça as notas ou o manual de revisões, com a quilometragem anotada em cada visita;
- compare o desgaste do volante, dos pedais e do banco do motorista com a km que aparece no painel;
- procure a etiqueta da última troca de óleo, que costuma ficar no para-brisa ou na porta, e veja a km registrada.
Os 5 sinais de golpe que a nota avalia
As cinco perguntas da ferramenta não estão ali por acaso. Cada uma corresponde a um golpe que aparece o tempo todo em anúncios de carro usado.
1. Sinal antes de ver o carro. É o golpe mais comum. O “vendedor” pede um depósito para segurar o carro, porque tem outro interessado, e depois some. Não pague nada, nem sinal, antes de ver o carro e conferir a documentação.
2. Documento no nome de outra pessoa. Quem vende precisa ser o dono que está no CRLV-e ou ter procuração. O intermediário que vende o carro de um amigo é o começo de muitos golpes.
3. Recusa de vistoria cautelar. A vistoria cautelar, feita por empresa credenciada, confere chassi, motor, estrutura e sinais de batida. Vendedor que recusa costuma saber de algum problema.
4. Carro longe, sem endereço fixo. Encontro em estacionamento, posto ou porta de trabalho dificulta cobrar qualquer coisa depois. Prefira ver o carro de dia, num endereço fixo.
5. Renavam negado. Sem o número do Renavam, você não consegue consultar débitos e restrições na maioria dos Detrans. Quem vende de boa-fé passa o número sem problema.
Onde consultar de graça: o roteiro oficial
Três consultas oficiais e gratuitas cobrem boa parte do risco de uma compra de carro usado:
- Sinesp Cidadão: mostra se o carro tem registro de roubo ou furto, só com a placa e sem login. Serve também para conferir se marca, modelo e cor batem com o carro que você está vendo, o que ajuda a perceber placa clonada.
- Detran do estado: mostra débitos de IPVA e licenciamento, multas e restrições como financiamento (alienação fiduciária) e bloqueio judicial. A maioria dos Detrans pede placa e Renavam, e alguns pedem login gov.br.
- Portal de serviços da Senatran: faz a consulta de recall pela placa ou pelo chassi, com login gov.br.
Histórico de leilão e de sinistro não aparece em nenhuma consulta oficial gratuita. Essa informação só existe em relatórios pagos de empresas privadas. Se a nota do seu negócio deu C ou D, vale pagar por um antes de fechar.
Multas e débitos: quem paga a conta?
IPVA, licenciamento e multas ficam ligados ao carro. Para licenciar o veículo no ano seguinte, tudo precisa estar quitado, então uma dívida esquecida pelo vendedor vira problema de quem compra. Por isso o extrato do Detran é a consulta mais importante antes do pagamento.
Para ter uma ideia do tamanho da conta, estes são os valores de multa definidos no Código de Trânsito Brasileiro:
- gravíssima: R$ 293,47 e 7 pontos;
- grave: R$ 195,23 e 5 pontos;
- média: R$ 130,16 e 4 pontos;
- leve: R$ 88,38 e 3 pontos.
Algumas infrações gravíssimas têm fator multiplicador e custam várias vezes esse valor. Negocie para que o vendedor quite tudo antes da transferência, com comprovante na mão.
Na hora de fechar: documentos e transferência
Com a nota boa e as consultas limpas, o fechamento segue uma ordem simples:
- vistoria cautelar aprovada, com o laudo em mãos;
- extrato do Detran sem débitos nem restrições, tirado no dia;
- pagamento feito no mesmo momento em que o vendedor emite a autorização de transferência digital, a ATPV-e, que substituiu o antigo recibo em papel;
- transferência para o seu nome no Detran em até 30 dias. Depois desse prazo, é infração grave.
Aplicativos oficiais para ter no celular
Dois aplicativos gratuitos do governo ajudam na compra e depois dela. Os dados abaixo foram conferidos na Play Store.
Perguntas frequentes
A Nota do Negócio mostra quem é o dono do carro?
Não. Nenhum dado pessoal é consultado ou mostrado. A ferramenta usa só a placa, a Tabela FIPE e as informações que você digita.
Dá para saber se o carro foi de leilão?
Não existe consulta oficial gratuita para leilão e sinistro. Essa informação só aparece em relatórios pagos. Se o preço está muito abaixo da FIPE, vale pagar por um antes de fechar.
A nota é confiável?
Ela é tão boa quanto as informações que você passa. O preço da FIPE vem da tabela oficial do mês, mas a quilometragem e as respostas sobre o vendedor dependem de você. Use a nota para decidir o que conferir, não como garantia.
Preciso pagar alguma coisa?
Não. A nota é grátis. Os extras, como a oferta sugerida e o custo do primeiro ano, são liberados com um anúncio curto, só se você quiser.