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Antes de colocar dinheiro em crédito ou recarga de aplicativo, vale fazer uma conta simples: quantos serviços você fecha, quanto cobra e quanto gasta para conseguir cada cliente. Quem faz essa conta antes escolhe melhor o aplicativo, responde só os pedidos que valem a pena e não descobre no fim do mês que trabalhou para pagar crédito.
Neste guia você faz a conta em 30 segundos, entende como cada tipo de aplicativo cobra do profissional, aprende a montar o seu preço e vê o que separa quem fecha serviço de quem só gasta crédito.
O que você precisa ter antes de se cadastrar
- Celular com internet e espaço para fotos
- Documento com CPF e um número de telefone ativo para o cadastro
- Fotos de 3 a 5 serviços que você já fez, de preferência com antes e depois
- Um preço base para o que mais faz: metro de reboco, contrapiso, diária
- Tempo para responder rápido quando o pedido chega
Nada disso custa dinheiro, e tudo pesa na primeira impressão. O cliente que abre um pedido recebe mais de uma resposta; o perfil com foto de obra pronta e preço claro sai na frente de quem só manda “faço sim, me chama”.
Faça a conta: quanto dá por semana e por mês
Coloque quantos serviços você costuma fechar por semana, o valor médio de cada um e quanto gasta com o aplicativo. A calculadora mostra o faturamento da semana, do mês e o que sobra depois do custo do app.
Repare no número de baixo. É ele que interessa: o faturamento bruto pode parecer bom, mas o que paga as suas contas é o que sobra depois de tirar o custo para conseguir cada cliente.

Como os aplicativos de serviço cobram do profissional
Quase todo aplicativo de serviço é gratuito para baixar e para criar o perfil. O dinheiro entra em outro momento, e cada plataforma escolhe um de três caminhos. Entender qual é o do aplicativo que você usa muda a forma de fazer a conta.
1. Você paga para ver o contato do cliente
É o modelo das moedas ou créditos. O pedido aparece para vários profissionais da região e, para falar com o cliente, você gasta créditos comprados no aplicativo. Você paga pelo contato, feche ou não o serviço. Aqui, o que decide o lucro é escolher bem quais pedidos liberar.
2. Você paga uma taxa sobre o serviço fechado
Algumas plataformas cobram só quando o serviço acontece, com uma porcentagem do valor. O risco de pagar à toa é menor, mas a taxa entra em todo serviço, inclusive nos grandes. Em alguns aplicativos esse modo vale só em certas cidades.
3. Você anuncia e o cliente chama
Nos aplicativos de anúncio, você publica o seu serviço, com fotos e região, e o cliente entra em contato. Costuma ser gratuito dentro de um limite de anúncios, com planos pagos para aparecer mais. Funciona melhor para quem já tem fotos boas e atende um bairro definido.
Na página seguinte você compara três aplicativos, um de cada modelo, com nota, número de avaliações e downloads da loja.
A conta que ninguém faz: quanto custa cada serviço fechado
O número mais importante para quem usa aplicativo não é o preço do crédito. É o custo por serviço fechado: tudo o que você gastou com o app no mês, dividido pelo número de serviços que realmente saíram.
Um exemplo só para mostrar a conta, com números redondos: se você gastou R$ 200 em créditos no mês e fechou 5 serviços, cada serviço custou R$ 40 para ser conseguido. Se o seu serviço médio é de R$ 800, esse custo é 5% do valor e compensa. Se o serviço médio é de R$ 150, o mesmo custo come mais de um quarto do que você recebe.
Anote durante quatro semanas quantos contatos você liberou, quantos orçamentos mandou e quantos serviços fechou. Com esses três números você descobre onde está perdendo: em pedido ruim, em orçamento que não convence ou em demora para responder.
Como montar o seu preço antes de responder o primeiro pedido
Quem responde pedido sem ter preço pronto chuta um valor, e chute costuma sair baixo. Tenha anotado no celular o preço dos serviços que você mais faz, em uma das três formas que o cliente entende.
Por metro quadrado
É o jeito mais comum para reboco, contrapiso, assentamento de piso e alvenaria. O cliente consegue comparar, e você consegue passar o preço sem ver a obra, desde que peça as medidas e fotos do local.
Por diária
Serve para reparos pequenos, serviços difíceis de medir e trabalho em equipe com outro profissional. Deixe claro o horário da diária e o que acontece se o serviço passar do dia.
Por empreitada
É o preço fechado da obra inteira. Paga melhor quando você é rápido, e é o que mais dá prejuízo quando o escopo não está escrito. Em obra maior, faça a visita antes de passar o valor.
Em qualquer das três formas, some ao preço o que quase sempre fica de fora:
- Deslocamento e tempo de ida e volta
- Desgaste de ferramenta e disco, broca, lâmina
- Material, se for você quem compra, com margem para perda
- O custo do aplicativo para conseguir aquele cliente
- Imposto ou contribuição mensal, se você é MEI
- Uma folga para imprevisto: parede fora de prumo, piso desnivelado, chuva
Perfil que fecha serviço
- Foto de perfil com o rosto visível, de preferência na obra
- Antes e depois dos serviços: a foto do resultado convence mais do que a descrição
- Descrição curta: o que você faz, há quanto tempo e em quais bairros atende
- Categorias só do que você faz bem, para não gastar crédito com pedido errado
- Pedido de avaliação a cada cliente satisfeito, na hora da entrega
As avaliações pesam mais do que qualquer desconto. Um cliente que vê dez avaliações boas aceita pagar um pouco mais, porque está comprando tranquilidade, não só mão de obra.
Quem responde primeiro leva
O cliente costuma pedir orçamento a mais de um profissional ao mesmo tempo. Deixe as notificações do aplicativo ligadas, tenha o seu preço base anotado e responda com educação e prazo. Um orçamento claro em poucos minutos vale mais do que um preço menor enviado no dia seguinte.
Um modelo de resposta que funciona: cumprimente, confirme o que o cliente pediu, diga quando pode ir ver ou começar e passe o preço ou a faixa de preço. Termine com uma pergunta simples, como o melhor horário para a visita.
Orçamento por escrito e combinado claro
Briga no fim do serviço quase sempre nasce de combinado de boca. Mande o orçamento por escrito, nem que seja por mensagem, com estes pontos:
- O que será feito, com medida ou lista de ambientes
- O que não está incluído
- Quem compra o material
- Prazo de início e de entrega
- Valor, forma de pagamento e se há sinal
- O que acontece se aparecer serviço extra
MEI: quando vale a pena formalizar
Para começar nos aplicativos, em geral basta o CPF. Com o tempo, o MEI passa a fazer diferença: com ele você tem CNPJ, emite nota fiscal e paga uma contribuição mensal fixa que inclui a previdência, o que conta para aposentadoria e auxílio-doença.
A nota fiscal abre porta para clientes que exigem nota, como condomínios, lojas e pequenas empresas, que costumam pagar serviços maiores. O MEI tem um limite de faturamento por ano definido em lei: confira o valor atual e as ocupações permitidas no Portal do Empreendedor, no gov.br, antes de se formalizar.
Semanas fracas: como não depender de um só aplicativo
Aplicativo é uma porta, não a única. Quem mantém a agenda cheia costuma combinar três ou quatro fontes de cliente:
- Mais de um aplicativo, cada um com o seu modelo de cobrança
- Indicação de cliente antigo, pedida na hora da entrega
- Contato com lojas de material de construção do bairro
- Grupos do bairro e do condomínio nas redes sociais
- Serviços pequenos de manutenção para encaixar entre uma obra e outra
Os erros que mais fazem perder dinheiro com aplicativo
- Liberar contato de pedido longe demais da sua região
- Cadastrar categorias que você não faz
- Demorar para responder e chegar depois de outro profissional
- Passar preço de obra grande sem visitar o local
- Não pedir avaliação ao cliente satisfeito
- Não anotar quanto gastou e quanto fechou