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Antes de escolher aplicativo ou curso, vale saber de onde você parte. O teste abaixo tem 10 perguntas, das mais fáceis às mais difíceis, e no fim mostra o seu nível de leitura e um plano para as próximas semanas. Se for para alguém da família, deixe a pessoa ler sozinha e ajude só a tocar na tela.
Teste de leitura: 10 perguntas
Toque na resposta que você acha certa: a próxima pergunta aparece sozinha. Não tem tempo marcado, e errar faz parte: o teste serve para mostrar por onde começar.
Guarde o seu nível e refaça o teste daqui a um mês. Ver o número subir é um dos melhores motivos para continuar.
Os quatro níveis do teste
O teste separa a leitura em quatro etapas. Cada uma pede um tipo de treino diferente, e pular etapa costuma atrasar em vez de adiantar.
Nível 1: letras e sílabas
A pessoa reconhece algumas letras, mas ainda não junta os sons com segurança. O foco é aprender o som de cada letra e montar sílabas simples. É a fase em que o professor ou alguém da família faz mais diferença.

Nível 2: palavras e frases curtas
Já lê palavras conhecidas, mas trava nas combinações mais difíceis, como CH, LH, NH, RR e SS, e em frases mais longas. O treino é ler um pouco todo dia, sempre em voz alta, e escrever frases sobre a própria rotina.
Nível 3: leitura do dia a dia
Lê avisos, receitas, contas e mensagens, mas ainda devagar, e perde o fio em textos maiores. É a hora de ganhar velocidade com textos curtos e de conferir se entendeu, contando para alguém o que leu.
Nível 4: leitura com autonomia
Lê e entende textos com segurança. O que falta, muitas vezes, é o papel: o certificado do fundamental ou do médio, que abre portas no trabalho e em concursos.
Você não está sozinho
Pelos dados mais recentes do IBGE, da PNAD Contínua de 2025, 8,4 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais ainda não sabem ler e escrever: 4,9% dessa faixa de idade. Entre quem tem 60 anos ou mais, a taxa sobe para 13,8%.
E saber ler não é o mesmo que ler com facilidade. O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024 mostrou que 29% das pessoas de 15 a 64 anos são analfabetas funcionais: ou não leem, ou leem só frases curtas e têm dificuldade com textos maiores.
Ou seja: ler com dificuldade é muito mais comum do que parece, e ninguém precisa ter vergonha de recomeçar.
Como um adulto aprende a ler
Comece pelos sons, não pelo nome das letras
A letra M se chama “eme”, mas o que importa para ler é o som dela: mmm. Quem aprende os sons consegue juntar M com A e ouvir MA. Aprender só o nome das letras, como no ABC, ajuda pouco na hora de ler.
Use as palavras da sua vida
O seu nome, o nome da sua rua, do seu bairro, do ônibus que você pega, dos seus remédios. Palavra que a gente usa todo dia é mais fácil de lembrar, e cada uma aprendida já resolve um problema de verdade.
Leia em voz alta
Ler em voz alta obriga a passar por todas as sílabas e deixa perceber na hora quando algo não fez sentido. Não precisa de plateia: pode ser sozinho, na cozinha, com o celular na mão.
Escreva um pouco todo dia
Ler e escrever andam juntos. Uma frase por dia sobre o que você fez, a lista do mercado, um recado para alguém da casa. No começo, copiar palavras também vale.
Um plano simples de quatro semanas
- Semana 1: 15 minutos por dia, sempre no mesmo horário, com o treino do seu nível
- Semana 2: some uma frase escrita por dia sobre a sua rotina
- Semana 3: leia em voz alta um aviso, uma receita ou uma mensagem por dia
- Semana 4: refaça o teste desta página e compare com o primeiro resultado
- Todo domingo: separe as palavras que mais travaram na semana e treine só elas
O segredo é a constância. Pular um dia acontece; o que atrapalha é passar a semana inteira sem abrir o caderno ou o aplicativo.
Como ajudar alguém da família
- Não corrija cada erro na hora: deixe a pessoa terminar a frase e volte só no que mais importa
- Nunca compare com criança nem com outra pessoa da casa
- Use textos do interesse dela: receita, letra de música, notícia do time, mensagem dos netos
- Elogie o esforço, não só o acerto
- Prefira sessões curtas e frequentes a uma aula longa de vez em quando
- Dê tarefas reais: ler a lista do mercado, o nome do ônibus, a validade de um produto
EJA: estudar de graça na escola pública
A Educação de Jovens e Adultos, a EJA, é o ensino fundamental e médio para quem não estudou na idade certa. Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, ela é gratuita na rede pública. Para o fundamental, é preciso ter 15 anos completos; para o médio, 18.
A matrícula é feita direto na escola pública ou na secretaria de educação: a do município cuida principalmente do fundamental, e a do estado, do médio. A norma nacional prevê turmas de manhã, à tarde e à noite, para caber na rotina de quem trabalha. No ensino médio também existe EJA a distância, com pelo menos metade das aulas presencial.
Encceja: o certificado sem voltar para a sala de aula
O Encceja é um exame do Inep que dá o certificado de conclusão do ensino fundamental ou do médio a quem não terminou a escola. A inscrição é gratuita. São quatro provas de 30 questões e uma redação, e é preciso ter 15 anos completos no dia da prova para o fundamental, ou 18 para o médio.
Em 2026, as inscrições foram de 4 a 15 de maio e a prova, em 23 de agosto. Quem perdeu o prazo deste ano pode se preparar desde já para a próxima edição: o edital sai no site do Inep.
Estudar pelo celular
Para treinar entre uma aula e outra, ou para quem ainda não pode ir à escola, os aplicativos gratuitos ajudam muito: mostram a letra, falam o som e deixam repetir quantas vezes for preciso. Na próxima página estão os que indicamos, com os dados conferidos na Play Store e qual usar em cada nível.