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A Tabela FIPE é o primeiro número que você precisa ter na mão antes de negociar um carro usado. Nesta etapa da Nota do Negócio, você escolhe a marca, o modelo e o ano, e a ferramenta puxa o valor da FIPE do mês na hora. Depois é só informar o preço pedido e a quilometragem para ver se o anúncio está dentro da faixa normal.
O que é a Tabela FIPE e como ler o valor
A tabela é publicada todo mês pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, a Fipe, e mostra o preço médio de cada versão de carro no mercado nacional. A própria Fipe avisa que o valor é um parâmetro: o preço de verdade varia com a região, o estado de conservação, a cor, os acessórios e outros fatores.
Três detalhes fazem diferença na consulta. O ano do modelo é o que vale, não o de fabricação: um carro fabricado em 2021 pode ser modelo 2022. A versão muda o preço, então escolha o nome completo, com motor e câmbio. E o mês de referência aparece junto do valor, porque a tabela muda todo mês. O código FIPE, que aparece embaixo do preço, identifica exatamente a versão consultada.
Preço abaixo da FIPE: oportunidade ou armadilha?
Carro anunciado perto da FIPE está no preço normal. Alguns pontos percentuais abaixo pode ser pressa do vendedor ou um detalhe a arrumar, e aí vale negociar. Quando o preço fica 20% ou mais abaixo da FIPE, o cenário muda. Os motivos mais comuns são estes:
- carro de leilão ou recuperado de sinistro, que vale menos na revenda e costuma ter seguro mais caro ou recusado
- débitos de IPVA, licenciamento e multas que vão sobrar para quem comprar
- financiamento que ainda não foi quitado
- golpe do anúncio falso, em que o carro nem existe ou pertence a outra pessoa
Nesse caso, a regra é simples: descubra o motivo do desconto antes de qualquer conversa sobre pagamento. Se o vendedor não explica, ou explica e muda de assunto, trate o negócio como alto risco.

Preço acima da FIPE: quando se justifica
Pagar acima da tabela não é necessariamente mau negócio, mas precisa ter um motivo que você consiga conferir:
- quilometragem baixa comprovada por notas de revisão
- revisões feitas na concessionária, com o manual carimbado
- garantia de fábrica ainda valendo
- versão mais completa ou acessórios de fábrica
- pneus, bateria e freios trocados há pouco tempo, com nota fiscal
Sem nada disso, um preço 15% acima da FIPE é espaço para negociar. Compare com dois ou três anúncios do mesmo modelo, ano e quilometragem na sua região antes de fazer a oferta.
Quilometragem: como saber se é real
A referência de mercado é de 12 a 15 mil km por ano. Um carro de cinco anos com 70 mil km está dentro do esperado. Com 150 mil km, rodou bastante, e a conta de suspensão, embreagem e revisão chega logo depois da compra.
O alerta mais traiçoeiro é a quilometragem baixa demais para a idade. Um carro de oito anos com 20 mil km pode ser verdade, mas também é o sinal clássico de hodômetro adulterado. Para conferir, faça três coisas:
- peça as notas ou o manual de revisões, com a quilometragem anotada em cada visita
- compare o desgaste do volante, dos pedais e do banco do motorista com a km que aparece no painel
- procure a etiqueta da última troca de óleo, que costuma ficar no para-brisa ou na porta, e veja a km registrada
